sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O MANUAL DO BRUXO - ALLAN ZOLA KRONZEK - 82








Quem nunca desejou, pelo menos uma vez, ter uma varinha mági­ca? As varinhas mágicas (...) são vistas no mundo inteiro como um símbolo da capacidade de fazer as coisas acontecerem.



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Quem nunca desejou, pelo menos uma vez, ter uma varinha mági­ca? As varinhas mágicas - simples, elegantes e fáceis de trans­portar - são vistas no mundo inteiro como um símbolo da capacidade de fazer as coisas acontecerem. Um toque da varinha e puf! - a louça está lavada, o quarto arrumado, a taça de sorvete triplicou de tamanho e a tia Henrietta ligou dizendo que não virá. Mas, como ficamos sabendo através das experiências pessoais de Harry, talvez não seja assim tão simples. Aparentemente é necessário ter um pouco de prática em feitiços e transfiguração para usar bem sua varinha, além de orientação sobre o tipo de madeira do qual ela deve ser feita. Mogno, carvalho, azevinho ou aveleira? E quanto ao pêlo de unicórnio, à pena de fênix e outros acessórios para a sua varinha? Esses detalhes não devem ser desprezados. As varinhas mágicas existem há muito tempo. Elas aparecem nas pin­turas pré-históricas de cavernas e na arte dos antigos egípcios. Os mági­cos da sociedade dos druidas, que surgiu na Europa pré-cristã, presidiam os rituais religiosos com varinhas feitas com a madeira do espinheiro, do teixo, do salgueiro e de outras árvores que eles consideravam sagradas. As varinhas só eram talhadas ao amanhecer ou entardecer - consideradas as melhores horas para se capturar os poderes do sol - usando uma faca que havia sido banhada em sangue. No Antigo Testamento, Moisés usa uma varinha mágica em forma de cajado de pastor para separar o mar Vermelho e para tirar água de uma pedra. Uma imagem do século IV mostra Jesus ressuscitando Lázaro com a ajuda de uma varinha. Como esses exemplos sugerem, historicamente as varinhas não serviram apenas como condutores de poderes sobrenaturais, mas também como ferra­mentas de cerimônias religiosas e símbolos de poder.
Na ficção, as varinhas mágicas apareceram pela primeira vez na Odisséia, escrita pelo poeta grego Homero por volta de 800 ou 900 a.C. A bela feiticeira Circe usa sua varinha para transformar a tripulação do barco em porcos. Transformar uma coisa em outra é um uso clássico da varinha mágica na literatura, e pode ser encontrado em inúmeros contos de fadas. O exemplo mais conhecido é a varinha com ponta de estrela usada pela fada madrinha de Cinderela para transformar camundongos em cavalos e uma abóbora em carruagem. Outras varinhas famosas pertencem a Merlim, mago e mentor do rei Artur, e ao deus grego Hermes, que usa sua varinha (ou caduceu) para ficar invisível para os mortais.


Duas representações diferentes da varinha mágica aparecem nessas cartas de tarô.
À esquerda, a varinha do mágico de rua serve para revelar sua profissão e para direcionar a atenção de seus espectadores. A direita, um mago de verdade usa sua varinha para invocar os poderes dos céus e usá-los sobre a Terra.

Na Europa do início da Idade Moderna, muitos praticantes de magia consideravam a varinha uma ferramenta essencial. Ela era usada por mágicos (ver magia) para lançar feitiços e para desenhar “círculos mági­cos” que os protegeriam da influência nociva dos demônios ou espíritos que eles pretendiam invocar.
Não tendo acesso ao conveniente Beco Diagonal para fazer suas com­pras, os aspirantes a mágico buscavam nos livros de feitiços as instruções sobre como projetar e fabricar uma varinha. De acordo com The Key of Solomon (A chave de Salomão), um dos livros de magia mais famosos da Idade Média, a varinha ideal deveria ser feita com madeira de aveleira e cortada da árvore com um único golpe de um machado recém-fabricado. Alguns peritos no assunto diziam que o poder da varinha podia ser au­mentado se fossem usadas pontas magnetizadas, cristais, ou caso fossem inscritas palavras mágicas ou nomes sagrados na varinha. À medida que a varinha era talhada, o mágico apelava para os espíritos, demônios ou deuses adequados para dotá-la com os poderes desejados — curar os doentes, controlar as forças da natureza ou conceder ao praticante seus pedidos.
Ainda que os mágicos envolvidos em rituais levassem seu trabalho a sério, no início do século XV as varinhas também eram usadas para fins menos sérios - serviam como adereço padrão dos artistas de rua que fa­ziam “mágicas” para viver. Para o mágico, a varinha tinha, pelo menos, duas funções importantes: era o instrumento que fazia a mágica aconte­cer e ajudava a enganar o público chamando a atenção para uma coisa enquanto ele fazia outra secretamente.
As varinhas mágicas são, como todos sabem, uma característica dos atuais mágicos de espetáculo. Vários mágicos que conhecemos cole­cionam “varinhas especiais” que dobram, mudam de cor, atiram ser­pentinas ou se quebram em mil pedaços. Isso lembra as varinhas espe­ciais feitas pelos empreendedores gêmeos Weasley, que parecem ter usado a magia para fabricar o mesmo artigo que um trouxa compraria em uma loja de brincadeiras ou de suprimentos para mágicos - você a ba­lança e ela se transforma em uma galinha de plástico.


Pedra Filosofal, 5



A CLAVA MÁGICA

Por que a varinha e não, digamos, uma pena se tornou o símbolo da magia? O que há nessa vara para que represente os incríveis poderes do mágico? A resposta, segundo alguns estu­diosos, pode ser encontrada nos primeiros instrumentos de poder do homem pré-histórico — a clava do homem das ca­vernas. Apesar de não ser exatamente “mágica”, a clava, um pedaço grande de um galho de árvore, certamente dava a seu dono um poder extraordinário - de se defender, de surrar seus inimigos até cansar e de trazer comida para casa. De fato, em um confronto com um inimigo, até mesmo levantar a clava com um gesto ameaçador era visto como um sinal de poder. Como as lanças e espadas substituíram a clava, uma teoria diz que ela deixou de ser usada no dia-a-dia, mas continuou a exis­tir em um tamanho reduzido e sob uma forma simbólica. De um lado, ela se transformou no cetro, o emblema de poder dos reis e imperadores. De outro, a clava tomou a forma do bastão dos arautos, investindo o portador com os poderes do rei que ele representava. E nas mãos dos má­gicos a miniclava tomou a forma da varinha, simbolizando o controle sobre os poderes da natureza e o sobre­natural. Apesar de a varinha não se parecer mais com a clava que a originou, no mundo dos bruxos ela ainda é a arma mais poderosa.


O cetro do rei, a varinha do mágico
e a clava do homem das cavernas são emblemas de poder.



O CADUCEU

Uma das varinhas mais fascinantes é o caduceu, coroado por duas asas e com duas serpentes enroscadas. Ele era carre­gado por Hermes, mensageiro dos deuses gregos e mestre da magia e da trapaça. Dado a ele por seu irmão, Apoio, em troca de uma flauta, o caduceu se tornou o emblema de seu ofício.
A forma básica do caduceu — duas serpentes enroscadas em uma haste - pode ser encontrada inicialmente na arte mesopo­tâmica, em torno de 3500 a.C. Séculos mais tarde, os gregos acrescentaram asas à haste para representar a velocidade de Hermes e colocaram uma esfera ou globo na ponta. Segundo uma lenda da Roma antiga, o caduceu ganhou sua forma quan­do Hermes (chamado de Mercúrio pelos romanos) se deparou com um par de serpentes brigando. Ele colocou seu bastão entre as duas; depois disso, as cobras ficaram amigas, se enrola­ram na haste e continuaram juntas para sempre. Nessa versão da história, o bastão representa a harmonia através da comunica­ção. Durante a Idade Média, alquimistas como Nicholas Flamel acreditavam que as cobras representavam a união de opostos.
O caduceu é, às vezes, usado como símbolo da profissão mé­dica, apesar do verdadeiro símbolo dos médicos ser o cajado de Asclépio, deus grego da medicina: um bastão comprido com uma única serpente enrolada. Dizem que a serpente desse ca­jado representa o rejuvenescimento físico obtido através da me­dicina e da cura, já que as serpentes mudam de pele todo ano.
Os médicos da Idade Média carregavam um bastão, ou ben­gala, como símbolo de sua profissão, e muitos atribuíam pode­res mágicos de cura a essa vara. Devido a anos de confusão en­tre o caduceu e o cajado de Asclépio, as duas varinhas são as­sociadas à medicina, à cura e, hoje em dia, a seguros de saúde.







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